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Imagine acordar um dia e descobrir que um simples exame de sangue pode revelar informações cruciais sobre a sua saúde mental, décadas antes de qualquer sintoma de Alzheimer se manifestar. Essa é a realidade que um novo estudo trouxe à tona, mostrando que proteínas associadas à doença podem ser detectadas em adultos de meia-idade que ainda não apresentam sinais de demência.

alzheimer: cenário e impactos

Publicada no prestigiado periódico The Lancet, a pesquisa aponta que altos níveis de biomarcadores, como as proteínas beta-amiloide e tau, estão relacionados a uma pior performance cognitiva e a um risco elevado de declínio acelerado da razão. Os pesquisadores, provenientes de universidades americanas, analisaram os resultados de exames de 1.350 adultos sem demência, que participam de um estudo de longa duração sobre risco cardiovascular.

A média de idade dos participantes foi de 61 anos, e o grupo era diversificado, com 55% de brancos e 45% de negros. Segundo as pesquisadoras finlandesas Anna Rosenberg e Tiia Ngandu, as qualidades do estudo incluem o tamanho da amostra e a diversidade dos participantes, além de dados sobre estilo de vida e fatores de risco vasculares.

Surpreendentemente, 6% dos participantes apresentaram altos níveis das proteínas beta-amiloide e tau, que estão intimamente ligadas ao desenvolvimento do Alzheimer.

O que significam os resultados

É importante ressaltar que um resultado positivo para o aumento dessas proteínas não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá demência. Os biomarcadores positivos indicam um aumento do risco, como explica Eduardo Zimmer, farmacêutico e pesquisador do Hospital Moinhos de Vento. Algumas pessoas conseguem preservar a cognição por muitos anos, possivelmente devido a fatores protetores como genética, ambiente e estilo de vida.

Os biomarcadores estão associados a um maior risco de problemas cognitivos, como a diminuição da velocidade de processamento e da função executiva, que inclui habilidades como planejamento e adaptação a diferentes contextos. Além disso, o aumento dessas proteínas pode estar ligado ao declínio acelerado da memória verbal, dificultando a comunicação e resultando em piores desempenhos em testes de velocidade do raciocínio ao longo do tempo.

Quem deve fazer o exame?

A análise de biomarcadores não é recomendada para a população em geral. “Atualmente, apenas pessoas que apresentam sintomas da doença de Alzheimer, especialmente uma perda progressiva das capacidades cognitivas, têm indicação para realizar essa análise”, explica Lucas Mella, psiquiatra e diretor científico da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). A dosagem das proteínas tau e beta-amiloide pode ser útil para identificar quadros atípicos de demência e para pacientes diagnosticados com Alzheimer que são elegíveis para terapias modificadoras da doença, como os anticorpos que visam eliminar placas de beta-amiloide no cérebro, diminuindo a velocidade do declínio cognitivo.

O avanço na detecção precoce do Alzheimer representa uma esperança para muitos, mas é fundamental lembrar que o diagnóstico precoce deve ser acompanhado de um acompanhamento médico adequado e de um estilo de vida saudável.

Fonte: saude.abril.com.br

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