A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de apenas 22 anos, levantou preocupações sobre a saúde cardiovascular de jovens atletas. Encontrado sem vida, ele pode ter sido vítima de uma morte súbita relacionada à cardiomiopatia hipertrófica, uma condição que afeta o músculo cardíaco. Essa informação foi divulgada pelo Instituto Médico Legal (IML) e repercutiu amplamente na mídia.
A cardiomiopatia hipertrófica é uma alteração estrutural do coração, caracterizada pelo crescimento anormal do miocárdio. Embora a condição tenha uma forte base genética, o uso de esteroides anabolizantes pode agravar o quadro. Ganley, que falava abertamente sobre seu uso de hormônios para alcançar hipertrofia muscular, é um exemplo de como essa prática pode ter consequências sérias.
O que é a cardiomiopatia hipertrófica?
A cardiomiopatia hipertrófica é a alteração cardíaca hereditária mais comum, afetando cerca de 1 em cada 500 pessoas. Essa condição leva ao espessamento e rigidez das paredes do coração, dificultando a passagem de sangue e aumentando o risco de arritmias. O septo, que separa as cavidades do coração, é frequentemente o mais afetado, podendo triplicar sua espessura, o que pode resultar em complicações graves.
Além disso, a hipertrofia do músculo cardíaco pode levar a batimentos irregulares, que, se não tratados, podem resultar em morte súbita. O cardiologista Elry Medeiros destaca que, com o tempo, o coração pode “cansar” e evoluir para insuficiência cardíaca se a hipertrofia não for controlada.
“O risco dessa condição é o coração passar a funcionar de maneira inadequada”, explica Medeiros. Isso é especialmente preocupante para aqueles que já possuem uma predisposição genética para a doença.
Por que anabolizantes podem provocar o quadro?
Embora a cardiomiopatia hipertrófica seja frequentemente causada por mutações genéticas, o uso de esteroides anabolizantes pode intensificar o problema. Esses hormônios promovem o crescimento muscular em todo o corpo, incluindo o coração, que pode responder a esse estímulo químico com hipertrofia adicional.
Para indivíduos que já têm a mutação genética, o uso de anabolizantes pode resultar em um aumento significativo do risco de complicações, como arritmias e obstrução da saída de sangue do coração. Isso ocorre porque o tecido muscular mais espesso pode conduzir os sinais elétricos de maneira irregular.
Anabolizantes são uma bomba para o coração
O uso de hormônios como a testosterona não só contribui para a hipertrofia do músculo cardíaco, mas também pode elevar a pressão arterial. A retenção de líquidos e a ativação do sistema nervoso simpático são efeitos colaterais comuns, levando a um aumento da pressão arterial. Além disso, os anabolizantes alteram os níveis de colesterol, aumentando o LDL (colesterol ruim) e diminuindo o HDL (colesterol bom), o que favorece a formação de placas de gordura nas artérias.
Essas placas podem obstruir os vasos sanguíneos, aumentando o risco de infarto. Também existe um maior risco de trombose, que pode ser fatal. Os danos causados pelo uso de anabolizantes podem ser irreversíveis, afetando a saúde cardiovascular a longo prazo.
Portanto, é essencial que os jovens atletas e fisiculturistas estejam cientes dos riscos associados ao uso de esteroides anabolizantes e busquem alternativas saudáveis para alcançar seus objetivos de desempenho.
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Fonte: saude.abril.com.br