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Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária do fornecimento da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Essa decisão foi motivada pela identificação de 42 casos de possíveis reações adversas graves e dois óbitos suspeitos relacionados à vacina.

Até o momento, a vacina estava sendo administrada exclusivamente a profissionais da saúde.

Embora o Ministério da Saúde tenha enfatizado que ainda não há comprovação de que a vacina tenha causado essas reações, a medida foi tomada como precaução. A orientação atual é que aqueles que receberam a vacina recentemente fiquem atentos a sinais como febre alta e hemorragia, e procurem orientação médica se necessário.

É importante ressaltar que as notificações de eventos adversos não comprometem a eficácia do imunizante contra a dengue, que permanece alta.

O que fazer se tomei a vacina?

A principal preocupação está voltada para as pessoas que foram imunizadas nos últimos 21 dias, período em que as reações adversas são mais comuns. “Se já passou desse período, não existe mais risco”, afirma o infectologista Julio Croda, da Fiocruz.

Esse é também o período em que é possível detectar a presença de componentes da vacina no organismo, o que ajuda a esclarecer se os adoecimentos relatados estão relacionados à vacina.

Por isso, é fundamental monitorar os primeiros dias após a vacinação e, caso surjam sintomas sugestivos, consultar um médico imediatamente.

Quais sintomas devem ser observados?

Os eventos adversos foram registrados entre janeiro e maio, e 3,7 mil pessoas apresentaram sintomas semelhantes à dengue leve, o que representa 0,7% dos vacinados. Os quadros mais graves apresentaram os seguintes sinais de alerta:

  • Febre;
  • Dor abdominal intensa e contínua;
  • Vômitos persistentes;
  • Tontura;
  • Sangramentos;
  • Sonolência intensa;
  • Irritabilidade;
  • Sinais de desidratação;
  • Piora do estado geral.

Problemas são comuns?

Até o momento, não foi confirmado se os quadros apresentados pelos pacientes foram causados pela vacina. Contudo, é importante destacar que a maioria dos vacinados não apresentou problemas.

A imunização com a vacina Butantan-DV foi iniciada em janeiro de 2026, e até agora, 500 mil doses foram aplicadas, com apenas 42 casos de reações adversas mais severas, representando 0,008% do total de vacinados.

É dengue ou reação adversa?

Os pacientes que apresentaram reações adversas inesperadas ou graves mostraram sintomas semelhantes aos da dengue. Isso levanta a hipótese de que possam ter contraído a doença apesar da imunização ou desenvolvido uma reação ao imunizante.

A Butantan-DV é uma vacina de vírus atenuado, que utiliza uma versão enfraquecida do vírus para estimular uma resposta imunológica sem causar a doença. Mesmo assim, a possibilidade de sintomas relacionados ao vírus vacinal é monitorada.

Para esclarecer a origem dos casos, será realizado o sequenciamento genético do vírus encontrado nos pacientes. Se o paciente apresenta sintomas e apenas a versão atenuada do vírus circula em seu corpo, isso indica uma reação adversa. A presença do vírus selvagem, por outro lado, sugere uma possível falha vacinal.

O diagnóstico diferencial é complexo, já que a dengue é uma doença endêmica no Brasil. Portanto, é desafiador distinguir uma infecção natural de um evento adverso não esperado causado pela vacina. A análise não se limita ao laboratório; os investigadores também avaliarão o tempo entre a vacinação e o início dos sintomas, além do histórico do paciente.

Por enquanto, os especialistas ressaltam que ainda faltam informações para determinar a causa dos casos. “Precisamos de mais dados. Pode ser outro evento adverso mais grave que não ficou claro na coletiva de imprensa”, afirma Croda.

+Leia também: Por que a vacina do Butantan será suspensa? Ministério da Saúde investiga mortes

Por que só agora?

Carla Domingues, epidemiologista e ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), explica que o surgimento desses casos não significa falha nos estudos clínicos ou no processo de aprovação da vacina. Os ensaios clínicos envolvem dezenas de milhares de participantes, o que é suficiente para avaliar eficácia e segurança, mas pode não detectar eventos muito raros.

Por essa razão, todas as vacinas continuam sendo monitoradas após a aprovação por meio da farmacovigilância, onde efeitos adversos incomuns podem ser identificados.

O que vem depois?

A partir de agora, serão realizados estudos complementares para reavaliar a segurança e a eficácia da vacina em diferentes cenários e grupos populacionais. O Ministério da Saúde iniciará o monitoramento ativo de casos nas redes hospitalares e realizará reuniões com gestores e representantes de saúde para discutir as próximas etapas da investigação e reforçar as ações de vigilância.

Fonte: saude.abril.com.br

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