Você já parou para pensar que os primeiros sinais da doença de Alzheimer podem aparecer anos, ou até mesmo décadas, antes de qualquer sintoma perceptível? Essa é uma realidade que muitos ainda desconhecem. A condição, que afeta milhões de brasileiros, pode começar a dar os primeiros indícios no cérebro muito antes de impactar a vida cotidiana dos pacientes.
Um estudo recente, conduzido por pesquisadores da renomada Mayo Clinic nos Estados Unidos, revela que as alterações no cérebro associadas ao Alzheimer podem ser detectadas em exames específicos, mesmo que muitas vezes esses sinais não sejam monitorados até que a situação já tenha se agravado.
De acordo com a pesquisa, as primeiras mudanças em biomarcadores relacionados ao Alzheimer começam a ser percebidas de forma sutil entre os 50 e 60 anos. Isso significa que, embora os sinais mais evidentes da doença frequentemente apareçam por volta dos 70 anos, o processo de degeneração cerebral já pode estar em andamento muito antes disso.
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O que os pesquisadores descobriram
No estudo publicado na revista Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association, os pesquisadores monitoraram 2.082 participantes ao longo de um estudo de longa duração. O objetivo era avaliar quando as alterações relacionadas à doença neurodegenerativa começam a se acelerar.
Os participantes foram submetidos a testes de desempenho cognitivo, além de exames de imagem do cérebro e exames de sangue para identificação de biomarcadores associados ao Alzheimer. Os resultados mostraram que, por volta dos 60 anos, já é possível observar uma aceleração no acúmulo da proteína beta-amiloide, um importante marcador para a doença.
Esse é o primeiro grande ponto de inflexão identificado no estudo: em média, aos 62,3 anos, o PET de amiloide indicou uma taxa de acúmulo mais acelerada, marcando a transição para a fase pré-clínica do Alzheimer.
Definindo abordagens mais precisas para a demência
Os achados reforçam a importância de realizar triagens e adotar medidas preventivas para conter o avanço do Alzheimer ainda mais cedo na vida. Mapear os pontos de inflexão ajuda a determinar em que idade esses testes podem começar a ser feitos, permitindo obter informações mais relevantes sobre o avanço da demência.
Infelizmente, exames como o PET de amiloide são frequentemente postergados devido ao alto custo, até que seja tarde demais para atrasar o avanço dos sintomas. O estudo também encoraja o uso de biomarcadores no sangue para auxiliar no diagnóstico e monitoramento da progressão da doença.
Com uma compreensão mais precisa da idade em que a doença pode ser diagnosticada precocemente, é possível identificar pacientes em risco elevado antes que os sintomas afetem a qualidade de vida, iniciando tratamentos antes do que seria habitual.
Embora o Alzheimer ainda não tenha cura, cada vez mais terapias estão sendo desenvolvidas para retardar a progressão do quadro e o desenvolvimento dos sintomas incapacitantes. O objetivo é que essas terapias sejam utilizadas o mais cedo possível.
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Fonte: saude.abril.com.br