Você já parou para pensar na segurança dos voos? Quando um piloto se prepara para decolar, ele segue um rigoroso protocolo que garante a segurança de todos a bordo. Desde a análise das condições climáticas até a checagem minuciosa da aeronave, cada detalhe é cuidadosamente verificado. Isso levanta uma questão importante: o que isso nos diz sobre a segurança nos hospitais e os erros médicos?
segurança: cenário e impactos
Antes da decolagem, o piloto realiza um briefing, que é um guia com objetivos e instruções. Ele verifica a quantidade de passageiros, a carga, o combustível necessário e outros fatores essenciais para um voo seguro. Na cabine, a verificação dos instrumentos é fundamental, e o piloto faz um walkaround, inspecionando cada parte da aeronave, desde a fuselagem até os motores. Na aviação, nada é deixado ao acaso.
Agora, imagine um cirurgião se preparando para uma operação. Assim como o piloto, o médico deve revisar o caso do paciente, analisar os exames e planejar o tratamento. No entanto, a realidade é que, muitas vezes, a equipe médica não segue o mesmo rigor que os pilotos. O checklist de cirurgia segura, proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma tentativa de padronizar e garantir a segurança durante os procedimentos cirúrgicos.
Antes de qualquer incisão, a equipe deve confirmar em voz alta a identidade do paciente, o local da cirurgia e os materiais disponíveis. Infelizmente, sabemos que nem sempre isso acontece, especialmente em hospitais onde a cultura de segurança é negligenciada.
Na aviação, a segurança é uma prioridade inegociável. As companhias aéreas têm a responsabilidade de garantir que os passageiros cheguem ao seu destino em segurança. No entanto, quando se trata de hospitais, a expectativa é ainda maior: as pessoas esperam sair melhores do que quando entraram.
Um estudo publicado em 1999 pelo Instituto de Medicina dos Estados Unidos revelou que dezenas de milhares de pacientes morrem anualmente devido a eventos adversos totalmente evitáveis. Isso deixou claro que a assistência à saúde é uma atividade de alto risco, e a medicina precisa aprender com os erros, assim como a aviação já faz há anos.
Quando ocorre um acidente aéreo, a investigação busca entender o que aconteceu e como evitar que se repita. Na medicina, no entanto, a transparência nem sempre é a norma. Muitas vezes, os erros são encobertos ou tratados de forma punitiva, o que gera um ambiente de medo e silêncio.
Precisamos reconhecer que erros acontecem porque somos humanos. A diferença é que a aviação tem um sistema mais eficiente para aprender com essas falhas. Hoje, é mais seguro entrar em um avião do que em um hospital.
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O que a aviação pode ensinar à medicina
Os eventos adversos na saúde precisam ser analisados sem julgamentos prévios, transformando-se em aprendizado para todos. Isso não significa que a responsabilização deve ser eliminada, mas sim que devemos distinguir entre erro e violação.
O erro é parte da natureza humana e deve ser tratado com análise e revisão de processos. Por outro lado, a violação é o desrespeito consciente às normas de segurança. Para o erro, o foco deve ser a correção do sistema; para a violação, a responsabilização é necessária.
Para que a medicina alcance a excelência da aviação, é crucial adotar uma cultura de segurança que não apenas proteja os pacientes, mas também incentive a transparência e o aprendizado contínuo. Quando a medicina unir o conhecimento técnico à segurança, nossos hospitais poderão se tornar tão seguros quanto as cabines de comando dos aviões.
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Fonte: saude.abril.com.br