Fãs do automobilismo foram pegos de surpresa com a notícia da morte de Kyle Busch, piloto duas vezes campeão da NASCAR, principal categoria de stock car dos Estados Unidos. Aos 41 anos, Busch seguia em atividade, tendo corrido pela última vez em Watkins Glen, Nova York, no dia 10 de maio.
Diferente de tragédias comuns envolvendo corredores, a morte de Busch não foi causada por um acidente, mas sim por uma complicação de saúde: no final de semana, foi revelado que o piloto tinha um quadro de pneumonia que, em poucas horas, evoluiu para uma sepse fatal.
Entenda melhor como isso pode acontecer.
O que exatamente é a sepse?
A sepse ou septicemia é resultado de uma resposta exagerada do organismo a uma infecção que, inicialmente, pode ser bem localizada. No caso de Kyle Busch, os problemas começaram nos pulmões, indicados pela pneumonia, mas rapidamente evoluíram para afetar o corpo inteiro. Suspeita-se que ele também já estivesse lidando com uma sinusite não tratada anteriormente.
Em condições normais, uma infecção provoca uma resposta do sistema imunológico para combater o agente causador. Isso desencadeia um processo inflamatório, essencial para enfrentar a doença. Contudo, em algumas situações, o corpo reage de forma extrema, gerando inflamações em órgãos distantes da infecção original.
A sepse é frequentemente conhecida como “infecção generalizada”, mas esse termo pode ser impreciso: a resposta inflamatória pode ocorrer mesmo em tecidos que não foram contaminados pelo microrganismo causador. A reação do corpo é semelhante à que ocorre quando a infecção realmente atinge essas áreas.
Sem o tratamento adequado, a sepse pode evoluir para o chamado choque séptico, caracterizado pela falência de órgãos vitais, podendo levar à morte em pouco tempo. Cerca de um terço dos casos de choque séptico começa com pneumonias, como no caso de Kyle Busch, e até 40% dos pacientes que enfrentam essa evolução acabam falecendo.
Quanto tempo leva para uma infecção virar sepse?
A sepse deve sempre ser encarada como uma emergência médica. Quando os sinais de choque séptico começam a aparecer, o tratamento deve ser imediato e intensivo – em algumas situações, a morte pode ocorrer em menos de 12 horas após o agravamento dos sintomas, que incluem febre persistente, falta de ar, tremores e palpitações.
No entanto, o tempo para uma infecção evoluir para sepse pode variar muito de pessoa para pessoa. Muitos pacientes com choque séptico já estão hospitalizados quando o problema é identificado, mas em raras situações, uma infecção com sintomas menos evidentes pode se agravar ao longo de vários dias.
Em relação à pneumonia, uma possibilidade é a chamada pneumonia silenciosa, que não apresenta os sintomas típicos e pode demorar a ser diagnosticada em um estado avançado.
Na ligação ao 911 divulgada à imprensa, a pessoa que socorreu Kyle Busch relatou que ele estava consciente, mas apresentando falta de ar e tremores, além de vomitar sangue. A evolução foi muito rápida, característica do choque séptico: ele foi hospitalizado em 21 de maio e faleceu no mesmo dia.
Há indícios de que a sepse tenha sido resultado de uma infecção mais longa, não tratada, que se desenvolveu ao longo de dias. Informações preliminares indicam que o piloto já enfrentava uma sinusite quando correu em Watkins Glen no dia 10. Em comunicações de rádio com a equipe, ele mencionou que precisaria de uma “injeção” de um médico após a corrida. Embora a conexão entre os problemas de saúde ainda não tenha sido confirmada, é possível que a infecção que começou como uma sinusite tenha evoluído para a pneumonia, culminando em complicações fatais.
Fonte: saude.abril.com.br