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A Sociedade Brasileira de Diabetes celebra a iniciativa do Ministério da Saúde, que busca modernizar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) em todo o Brasil.

retinógrafos: cenário e impactos

Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou um investimento de aproximadamente R$ 1,8 bilhão no Novo PSC Saúde, que visa modernizar mais de 5 mil UBS em todo o país. Entre os novos equipamentos, destacam-se os retinógrafos portáteis, essenciais para o diagnóstico precoce de doenças oculares, especialmente em idosos e pessoas com diabetes.

Os retinógrafos são dispositivos que capturam imagens do fundo do olho, permitindo a identificação de alterações na retina que podem estar associadas a condições como retinopatia diabética, glaucoma, hipertensão arterial e degeneração macular. Segundo o Dr. João Eduardo Salles, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, a utilização desses equipamentos na atenção primária pode aumentar significativamente o rastreamento de doenças oculares e reduzir a incidência de perda irreversível da visão, especialmente entre pacientes diabéticos, que são uma das principais vítimas de cegueira evitável no Brasil.

O exame realizado com retinógrafos é rápido, indolor e não invasivo, podendo ser realizado por profissionais treinados, o que amplia o acesso ao diagnóstico inicial. O Dr. Fernando Malerbi, coordenador do Departamento de Saúde Ocular da SBD, ressalta que os retinógrafos serão integrados às estratégias de telessaúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso permitirá que as imagens sejam enviadas remotamente para avaliação por especialistas, facilitando o acesso ao diagnóstico em regiões com escassez de oftalmologistas.

Entendendo a retinopatia diabética

De acordo com o Dr. Malerbi, a retinopatia diabética é uma condição que pode se desenvolver em pessoas com diabetes não controlado. O excesso de glicose no sangue pode danificar os pequenos vasos sanguíneos da retina, levando a vazamentos e hemorragias. Se não tratado, esse quadro pode resultar em cegueira bilateral e irreversível. No Brasil, a retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira, e muitas vezes a condição é assintomática em seus estágios iniciais, o que torna o exame preventivo crucial.

Portanto, é recomendado que pessoas com diabetes realizem o exame de fundo de olho anualmente. Aqueles que apresentam hipertensão arterial, doenças renais, anemia, tabagismo ou estão grávidas devem ter cuidados ainda mais rigorosos, pois esses fatores podem acelerar a progressão da retinopatia.

O controle adequado do diabetes, da pressão arterial e da glicose no sangue é fundamental para prevenir a retinopatia diabética. Isso envolve a adoção de hábitos saudáveis e o uso correto de medicamentos, quando prescritos. Quanto mais cedo o controle for iniciado após o diagnóstico do diabetes, maiores as chances de retardar a progressão da doença ocular e preservar a visão.

Os sintomas da retinopatia, quando aparecem, incluem visão embaçada, flashes de luz e manchas escuras ou distorções na visão. Em estágios avançados, pode ocorrer a perda de visão.

Iniciativas para detecção precoce

O Dr. Malerbi menciona que já existem projetos em andamento no Brasil que exemplificam a importância do exame realizado com retinógrafos. No Rio Grande do Sul, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) estão realizando um ensaio clínico randomizado na cidade de Santa Cruz do Sul. O objetivo do estudo é verificar se a Inteligência Artificial pode ser tão eficaz quanto o exame realizado por oftalmologistas na detecção da retinopatia diabética.

Profissionais de saúde não médicos foram treinados para coletar imagens oculares de pacientes diabéticos, que são posteriormente avaliadas remotamente por oftalmologistas. Os equipamentos utilizados neste estudo são os mesmos que o governo está adquirindo. Até o momento, mais de 1.100 pessoas com diabetes foram examinadas, com a colaboração da Prefeitura e Secretaria Municipal de Saúde de Santa Cruz do Sul.

Quando a retinopatia diabética é detectada, o paciente é encaminhado para uma avaliação presencial com um oftalmologista e tratamento. O sucesso desse programa demonstra que, com a distribuição de retinógrafos e treinamento adequado, será possível realizar um grande rastreamento e, assim, reduzir drasticamente os problemas causados pela retinopatia diabética.

Mais informações
GBR Comunicação
Rose Guirro – rose.guirro@gbr.com.br

Fonte: diabetes.org.br

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