A próxima edição do torneio ocorrerá entre 11 de junho e 19 de julho, durante o verão nos países anfitriões: Canadá, Estados Unidos e México. Isso significa que os atletas estarão expostos a condições climáticas potencialmente extremas.
De acordo com o WWA, as previsões indicam que, em algumas cidades dos EUA e do México, os jogos poderão ser verdadeiros testes de resistência ao calor. “Em determinadas sedes, os índices que combinam temperatura, umidade, radiação solar e vento podem atingir níveis considerados de risco para atividades físicas prolongadas”, alerta Ligia Trevizan, cardiologista do Hospital M’Boi Mirim, gerido pelo Einstein Hospital Israelita.
Embora isso não signifique que haverá um aumento significativo de emergências médicas, a situação reforça a necessidade de estratégias de prevenção eficazes.
Conforme o WWA, os jogos no sul e interior dos EUA e do México enfrentarão temperaturas frequentemente superiores a 30 °C. Para muitos brasileiros, essa temperatura pode parecer suportável; no entanto, o que realmente preocupa os especialistas é o Índice de Bulbo Úmido e Temperatura de Globo (IBUTG), que mede o estresse térmico no corpo humano.
Por exemplo, 30°C em um dia seco e ventilado é bem diferente de 30°C com 80% de umidade e sol intenso. O WWA estima que, durante a Copa, 26 jogos ocorrerão com temperaturas de bulbo úmido acima de 26°C, o que, segundo a Federação Internacional de Profissionais de Futebol (Fifpro), representa um risco real de estresse térmico.
Nessas condições, a entidade recomenda pausas para resfriamento durante as partidas. Acima de 28 °C, a prática é considerada insegura. Entretanto, os regulamentos da FIFA só prevêem o adiamento de jogos quando a temperatura de bulbo úmido ultrapassa 32 °C, o que gera preocupação entre os especialistas. Felizmente, a WWA acredita que as chances de condições climáticas severas, como níveis de IBUTG superiores a 30°C, são baixas.
As altas temperaturas podem causar diversos problemas, sendo a redução no desempenho dos atletas a principal preocupação. Em situações de calor extremo, os jogadores podem sofrer de fadiga precoce, sensação de esforço excessivo, câimbras musculares e dificuldade em manter a intensidade da atividade física. A desidratação é uma das principais causas desse fenômeno.
Quando a temperatura aumenta, o corpo ativa seu sistema de resfriamento, que é o suor. À medida que o atleta transpira, o organismo perde líquidos, o que leva à desidratação e à diminuição dos estímulos musculares pelo sistema nervoso central.
Além disso, a circulação sanguínea se concentra mais na pele para resfriar o corpo, reduzindo a oferta de oxigênio para os músculos. “Até mesmo os melhores jogadores tendem a se cansar mais rapidamente”, explica o médico do esporte Páblius Braga, do Hospital Nove de Julho, da Rede Américas.
Os principais riscos incluem hipertermia, que resulta em aumento da temperatura corporal, fadiga, exaustão e desidratação. Essa combinação sobrecarrega o sistema cardiovascular, podendo causar arritmias e, em casos graves, ser fatal. Durante o exercício, o coração já trabalha para fornecer oxigênio e nutrientes aos músculos, e em temperaturas elevadas, aumenta o fluxo sanguíneo para a pele para dissipar o calor.
Com isso, o coração precisa atender simultaneamente às demandas dos músculos em atividade e aos mecanismos de resfriamento do corpo. A perda de líquidos pelo suor reduz o volume de sangue circulante, fazendo com que o coração bata mais rápido para manter a circulação. Além disso, a perda de eletrólitos essenciais, como potássio, magnésio e sódio, pode comprometer ainda mais a saúde do atleta.
Os sintomas de desidratação incluem tontura, náuseas, dor de cabeça e sensação de desmaio. Em casos extremos, pode ocorrer exaustão pelo calor, caracterizada por incapacidade de manter o exercício, fraqueza intensa e comprometimento do estado geral, podendo evoluir para insolação, uma emergência médica grave.
Nem todas as seleções enfrentam o calor da mesma forma. Times que treinam em climas frios, com pouca variação de temperatura, podem estar menos preparados para as condições quentes. Além disso, a adaptação ao calor varia entre os atletas, e aqueles que não estão acostumados a altas temperaturas podem ter um desempenho inferior.
Portanto, a preparação para a Copa do Mundo deve incluir estratégias de aclimatação e hidratação adequadas para garantir a saúde e o desempenho dos jogadores durante o torneio.
Fonte: saude.abril.com.br
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