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Você já parou para pensar na relação entre ansiedade e autismo? Para muitos adultos que convivem com o transtorno do espectro autista (TEA), essa é uma realidade desafiadora. Estima-se que até metade desses indivíduos enfrente níveis de ansiedade que impactam negativamente seu cotidiano, segundo um estudo norte-americano realizado há mais de uma década. O aumento no diagnóstico de TEA nos consultórios médicos também trouxe à tona a necessidade de se investigar a presença de outros transtornos associados.

A avaliação desses casos é um desafio, como foi discutido em uma palestra no Congresso sobre Cérebro, Comportamento e Emoções, realizado em Porto Alegre (RS). Os profissionais de saúde defendem uma abordagem transdiagnóstica, que considera que a ansiedade não deve ser vista como um diagnóstico isolado do TEA. Muitas vezes, ela é uma resposta natural de pessoas que enfrentam conflitos entre as expectativas do mundo ao seu redor e a maneira como processam essas situações.

Por isso, é fundamental avaliar os sintomas de forma abrangente, buscando identificar as causas dessas manifestações que podem ser comuns a diferentes transtornos. Adultos com transtorno do espectro autista merecem uma atenção especial, especialmente aqueles que não foram diagnosticados na juventude e, consequentemente, não receberam o tratamento adequado.

A psiquiatra Malu Joyce de Amorim Macedo destaca a importância de observar o mascaramento da condição, que é quando alguns pacientes tentam esconder traços do autismo para se encaixar em grupos sociais. Essa prática pode levar a um estado de hipervigilância sobre seus próprios comportamentos, resultando em exaustão emocional.

1. Mascaramento: a camuflagem social

O mascaramento é uma tentativa de camuflar os traços do autismo para ser aceito socialmente. Essa prática, além de desgastante, pode intensificar a ansiedade, pois o indivíduo se torna excessivamente consciente de suas ações e reações.

2. Alexitimia: a dificuldade de reconhecer emoções

A alexitimia é a dificuldade de identificar e nomear as próprias emoções. Essa condição é comum, mas ocorre com uma frequência muito maior em pessoas com TEA. A falta de habilidades para lidar com as emoções pode levar a quadros de tristeza profunda e frustração, resultando em sintomas de ansiedade e depressão.

3. Interocepção alterada: a percepção do corpo

A interocepção diz respeito à percepção dos sinais internos do corpo, como fome, dor e batimentos cardíacos. Indivíduos no espectro autista podem ter uma percepção muito sensível ou, ao contrário, não perceber esses sinais, o que pode levar a crises de ansiedade ou pânico.

Como lidar com a ansiedade no TEA

Uma abordagem integrada é essencial para tratar a ansiedade em adultos autistas. Segundo Macedo, os sintomas do autismo estão interligados à interocepção e à alexitimia, contribuindo para a manifestação de ansiedade e depressão. A psiquiatra Alice Castro Menezes Xavier, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), sugere que as psicoterapias precisam ser adaptadas para este perfil de paciente, já que algumas classes de medicamentos podem ter eficácia reduzida.

A TCC (terapia cognitivo-comportamental) adaptada tem se mostrado eficaz no controle dos sintomas, não apenas da ansiedade, mas também na regulação emocional e na diminuição da irritabilidade. Essa adaptação pode incluir técnicas visuais e o uso dos interesses dos pacientes para aumentar o engajamento.

O mindfulness, que envolve atenção plena à respiração e ao momento presente, também pode ser um recurso valioso para adultos autistas de nível 1 de suporte (alto funcionamento).

Por fim, é importante evitar a polimedicação, pois indivíduos com TEA podem ter maior sensibilidade a efeitos colaterais, como alterações na concentração e inquietação. Além disso, a resposta a medicamentos como inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) pode ser menor em cérebros neurodivergentes.

Fonte: saude.abril.com.br

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