O câncer é uma das principais preocupações de saúde pública no Brasil e no mundo, afetando milhões de pessoas todos os anos. Em meio a essa realidade, o Congresso Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) de 2026 trouxe à tona pesquisas inovadoras que exploram a relação entre peso, jejum e imunoterapia, oferecendo novas esperanças para pacientes e profissionais da saúde.
O impacto da obesidade na evolução do câncer
Estudos apresentados no congresso destacaram a relação entre obesidade e câncer, enfatizando como o controle do peso pode influenciar a progressão da doença. Um dos destaques foi a pesquisa sobre os agonistas de GLP-1, medicamentos tradicionalmente usados no tratamento da diabetes e obesidade, que mostraram potencial na oncologia. A análise de mais de 10 mil pacientes com diferentes tipos de câncer, como mama e pulmão, revelou que aqueles que utilizaram esses medicamentos após o diagnóstico apresentaram menor risco de progressão para a doença metastática.
A oncologista Ludmila Koch, do Hospital Israelita Albert Einstein, ressalta que, embora os resultados sejam promissores, ainda são necessárias mais pesquisas para entender a relação entre esses medicamentos e a evolução do câncer. “Os dados ajudam a reforçar uma discussão crescente sobre a influência do metabolismo na evolução do câncer”, afirma.
Além disso, o estudo sugere que a perda de peso e o controle glicêmico podem ter um papel significativo na resposta ao tratamento, abrindo caminho para novas investigações.
Jejum e seus efeitos no tratamento do câncer de ovário
Outro estudo intrigante abordou os efeitos do jejum em mulheres com câncer de ovário avançado. Realizado por pesquisadores italianos, o estudo envolveu um período de jejum de 36 horas antes da quimioterapia e 24 horas após cada ciclo. Os resultados mostraram que as pacientes que seguiram essa abordagem apresentaram menores níveis de insulina e uma sobrevida livre de progressão significativamente maior em comparação com o grupo controle.
Após 18 meses, a sobrevida livre de progressão foi de 38 meses entre as pacientes que fizeram jejum, em contraste com 24 meses no grupo que não seguiu essa estratégia. No entanto, os autores alertam que se trata de um estudo piloto e que mais pesquisas são necessárias para validar esses achados.
Benefícios do controle de peso em pacientes com câncer de mama
O estudo BWEL focou em mulheres com câncer de mama em estágios II e III, com índice de massa corporal acima de 27. Parte das participantes recebeu um programa estruturado de mudança de estilo de vida, enquanto o outro grupo recebeu apenas orientações gerais. Após seis meses, as pacientes que participaram do programa relataram melhorias significativas em sua saúde física e mental, além de menos fadiga.
Esses resultados reforçam a ideia de que o controle do peso pode trazer benefícios que vão além da prevenção, contribuindo para o bem-estar durante e após o tratamento. A especialista enfatiza que o cuidado com a alimentação e a atividade física é fundamental no tratamento do câncer de mama, ajudando os pacientes a enfrentarem melhor a doença.
Imunoterapia: novas abordagens e custos acessíveis
Um dos estudos mais impactantes do congresso envolveu pacientes com câncer de cabeça e pescoço recorrente ou metastático. Pesquisadores da Índia testaram uma combinação de quimioterapia oral em baixas doses com imunoterapia em doses reduzidas. Os resultados mostraram uma sobrevida mediana de 10,3 meses para o grupo que recebeu a nova estratégia, em comparação com 6,2 meses no grupo tratado com quimioterapia convencional.
Além disso, a taxa de resposta ao tratamento foi mais que dobrada, e os eventos adversos graves ocorreram com menor frequência. O custo da nova abordagem foi estimado em cerca de US$ 230 por mês, significativamente inferior ao dos tratamentos convencionais. Isso levanta questões importantes sobre como tornar tratamentos eficazes mais acessíveis, especialmente em países de baixa e média renda.
Embora muitos desses achados ainda precisem ser confirmados em pesquisas futuras, eles abrem novas possibilidades para o tratamento do câncer e destacam a importância de abordagens integrativas que considerem o estilo de vida dos pacientes.
O câncer é uma doença complexa, e a detecção precoce é crucial para aumentar as chances de recuperação. É fundamental que as pessoas estejam atentas aos sinais que o corpo apresenta, como perda de peso inexplicada, mudanças na pele, tosse persistente e dores sem explicação. Identificar esses sintomas precocemente pode fazer a diferença no tratamento e na qualidade de vida dos pacientes.
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Fonte: metropoles.com