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Você já se perguntou por que algumas pessoas amam coentro, enquanto outras o detestam? Essa erva, amplamente utilizada na culinária brasileira, provoca reações extremas. Para muitos, seu sabor fresco é irresistível, mas para outros, a experiência é comparada a “comer sabão”. O que muitos não sabem é que essa aversão pode estar ligada à genética.

A influência do DNA na percepção do sabor

De acordo com o geneticista Ricardo Di Lazzaro, do laboratório Genera, estudos recentes mostram que a forma como cada pessoa percebe o coentro está, de fato, ligada ao seu DNA. “Hoje já está bem comprovado que a genética tem uma influência grande sobre gostar ou não de coentro”, afirma o especialista.

O principal gene associado à percepção do coentro é o OR6A2, localizado no cromossomo 11. Este gene codifica receptores olfativos que estão relacionados à percepção de aldeídos, compostos aromáticos que estão presentes tanto no coentro quanto em produtos de limpeza. Para algumas pessoas, isso resulta em uma experiência gustativa extremamente desagradável.

Como a genética afeta o paladar

O nutricionista Fernando Castro explica que a sensibilidade genética pode fazer com que algumas pessoas interpretem o gosto do coentro de maneira negativa. “Em indivíduos geneticamente mais sensíveis, o cérebro interpreta esses compostos de forma semelhante ao cheiro ou gosto de sabão”, destaca.

Além do coentro, a genética também influencia a percepção de sabores amargos e doces. Por exemplo, o gene TAS2R38 está associado à percepção do gosto amargo, levando pessoas mais sensíveis a rejeitar alimentos como brócolis e café preto.

O papel da cultura e da exposição na aceitação do coentro

Embora a genética desempenhe um papel significativo, fatores culturais e hábitos alimentares também influenciam a aceitação do coentro. Segundo Di Lazzaro, cerca de 20% a 30% da percepção relacionada ao alimento é determinada geneticamente. A cultura e a exposição ao coentro desde a infância são igualmente importantes. Em países onde o coentro é amplamente utilizado, como no Oriente Médio e no sul da Ásia, a rejeição tende a ser menor.

Castro ressalta que o paladar pode mudar ao longo da vida. “Muitas pessoas aprendem a tolerar ou até gostar de coentro depois de um período de contato gradual com a planta”, explica. Isso sugere que a experiência e a familiaridade podem alterar a percepção gustativa ao longo do tempo.

O coentro e a nutrição

Por fim, é importante destacar que não gostar de coentro não traz prejuízo nutricional significativo. Os nutrientes presentes nessa erva podem ser facilmente obtidos em outros vegetais dentro de uma alimentação equilibrada. Portanto, se você é um dos que não aprecia o sabor do coentro, não se preocupe: há muitas outras opções saudáveis disponíveis.

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Fonte: metropoles.com

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