Imagine a cena: um idoso sentado em uma cadeira, olhando pela janela, perdido em pensamentos que já não consegue mais organizar. Essa é a realidade de muitos brasileiros com demência, uma condição que, segundo um estudo recente, afeta oito em cada dez idosos sem um diagnóstico formal. Essa situação alarmante revela a necessidade urgente de atenção e ação no campo da saúde mental dos mais velhos.
O cenário preocupante da demência no Brasil
Um estudo publicado no International Journal of Geriatric Psychiatry por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) analisou dados de 5.249 brasileiros com 60 anos ou mais. Os resultados mostraram que 83,1% dos idosos com sintomas compatíveis com demência não tinham recebido um diagnóstico formal. Essa falta de identificação médica é um problema que vai além da simples dificuldade dos profissionais de saúde em reconhecer a condição.
Fatores que contribuem para o subdiagnóstico
Os pesquisadores identificaram que fatores sociais, econômicos e educacionais influenciam diretamente o subdiagnóstico da demência. Entre os idosos com baixa escolaridade, a taxa de casos sem diagnóstico chega a 93,9%. Além disso, em regiões com piores indicadores socioeconômicos, o percentual de idosos sem diagnóstico atinge 90,2%, comparado a 76% em áreas mais desenvolvidas.
Outro aspecto importante é que idosos que vivem sozinhos têm maior probabilidade de não receber um diagnóstico. A falta de familiares próximos pode dificultar a percepção das mudanças cognitivas e atrasar a busca por atendimento especializado. Muitas vezes, os sinais iniciais da demência são confundidos com alterações normais do envelhecimento, o que contribui para o atraso na investigação clínica.
Entendendo a demência e suas implicações
A demência é um termo que descreve um conjunto de sintomas relacionados à perda progressiva das funções cognitivas, afetando a memória, raciocínio, linguagem e comportamento. A doença de Alzheimer é a forma mais comum, mas existem outras, como a demência vascular e a demência por corpos de Lewy. Os sintomas geralmente aparecem de forma gradual, tornando ainda mais difícil a identificação precoce.
Embora não haja cura para muitas formas de demência, o diagnóstico precoce é fundamental. Ele pode ajudar a retardar a progressão dos sintomas, melhorar a qualidade de vida e permitir um planejamento familiar adequado, além de um acompanhamento mais eficaz.
Os dados do estudo mostram que idosos que realizam acompanhamento médico regular para outras condições têm mais chances de receber um diagnóstico de demência, provavelmente devido ao contato mais frequente com os serviços de saúde.
A necessidade de ações imediatas
Os pesquisadores defendem a implementação de políticas públicas que promovam um envelhecimento saudável e ampliem o acesso a neurologistas, geriatras e exames especializados no Sistema Único de Saúde (SUS). O cenário atual reforça a urgência de estratégias de rastreamento precoce, treinamento de profissionais da atenção básica e campanhas de conscientização sobre os sinais da demência.
Se você ou alguém que você conhece está enfrentando dificuldades cognitivas, é essencial buscar orientação médica. O apoio adequado pode fazer toda a diferença na qualidade de vida e no tratamento da demência.
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Fonte: metropoles.com